Você caminha num dia quente, começa a suar e, assim que entra na sombra, sente um friozinho nos braços. Olha a temperatura: 28 °C. À noite, quando parece que finalmente vai pegar no sono, a coceira e um zumbido perto do ouvido fazem você acordar.
Em dias assim, resfriar mais não resolve tudo. Aumentar o ventilador dá frio; desligar deixa o ambiente abafado. Você dá uma volta pelo quarto procurando o mosquito e acaba perdendo o sono de vez.
A roupa úmida de suor, o vento que bate na pele, as entradas dos mosquitos e o local da picada pedem pequenos ajustes diferentes. Cuidar de cada um costuma ajudar mais do que olhar apenas o número no termômetro. Vamos começar pelo momento em que bate o frio.
Nos mesmos 28 °C, costas suadas e braços secos sentem coisas diferentes
Quando evapora, o suor retira calor da pele. Se houver vento, a evaporação fica mais fácil, e isso pode fazer você sentir frio depois de suar. A explicação da Taisho Pharmaceutical sobre o suor também descreve essa perda de calor pela evaporação.
Imagine que você andou depressa até a estação, ficou com as costas suadas e se sentou num banco à sombra. O movimento diminuiu, o sol deixou de bater e o vento alcançou a camiseta úmida. Mesmo sem mudar a temperatura do ar, as condições ao redor da pele já são diferentes das de quando você estava andando.
A pessoa ao lado talvez esteja com a roupa seca e sentada onde o vento não chega. Comparar-se com os outros porque “todo mundo está dizendo que faz calor” não explica, por si só, o frio que você sente.
Primeiro, seque o suor e, se puder, troque a roupa úmida. Saia da corrente de ar direta e use uma peça leve por cima, se precisar. Observar se essas mudanças trazem alívio ajuda a decidir o próximo ajuste. Mas só a sensação de frio não permite saber se a temperatura no interior do corpo também diminuiu.
Se você também passa mal num lugar quente, não coloque tudo na conta do vento
Suor e vento são uma explicação possível, não um diagnóstico do que está acontecendo naquele momento. Se houver tontura, dor de cabeça, náusea ou cansaço intenso num ambiente quente, também é preciso prestar atenção aos problemas de saúde causados pelo calor. Sentir frio não descarta essa possibilidade.
Seguindo as orientações do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão para prevenir problemas causados pelo calor, vá para um lugar fresco e resfrie o corpo. Se conseguir beber por conta própria, reponha líquidos. Se a pessoa não responder normalmente ou não conseguir beber sozinha, acione o serviço de emergência. Também vale procurar atendimento se o frio continuar depois de mudar de ambiente, vier acompanhado de febre ou tremores, ou se um mal-estar fora do habitual se repetir.
Acordar com um calombo não revela a hora da picada
O braço começa a coçar enquanto você dorme. Você acende a luz e vê um calombo redondo. Essa reação pode ocorrer depois de uma picada de mosquito, mas a aparência, sozinha, não confirma a causa.
Há reações à picada de mosquito que aparecem logo e outras que ficam mais evidentes depois de algum tempo. Uma revisão de estudos sobre essas reações explica que o inchaço imediato e a vermelhidão ao redor atingem o pico em cerca de 20 a 30 minutos. A reação, porém, varia de pessoa para pessoa, e o calombo com coceira pode continuar até o dia seguinte.
Por isso, não é estranho já estar inchado quando você acorda. Mas também não dá para usar o calombo como relógio e concluir que a picada aconteceu “há poucos minutos”. Encontrar um mosquito no quarto é uma pista, embora urticária e reações a outros insetos possam ter uma aparência parecida.
Se isso se repetir sem uma causa conhecida, anote quando aparece e em que parte do corpo e procure um dermatologista ou outro serviço de saúde. Isso pode ajudar mais do que desconfiar de toda a roupa de cama e de cada inseto possível.
A procura pelo mosquito também precisa ter um fim
O mosquito pode continuar dentro de casa depois de picar. Por isso o zumbido incomoda tanto. Basta acender a luz para tudo ficar quieto; você apaga e lá está o som outra vez. É um inseto minúsculo, mas parece ter assumido o direito de decidir quando a luz do quarto pode ser apagada.
Só que, quanto mais a busca se expande da parede para a cortina e para trás dos móveis, menos tempo sobra para dormir. Perto da hora de deitar, é mais prático conferir uma vez o que está à vista e passar às medidas que dificultam a entrada de mosquitos e reduzem as chances de picadas.
- Feche portas e janelas e veja se as telas têm frestas ou rasgos
- Se usar um mosquiteiro, ajeite-o sem deixar aberturas
- Use produtos antimosquitos para ambientes internos conforme as indicações de insetos-alvo, tamanho do cômodo, quantidade e ventilação
- Não confunda repelentes para a pele com inseticidas destinados a ambientes ou objetos
As orientações dos CDC para prevenir picadas de mosquito também incluem medidas como telas, além do repelente. Os produtos disponíveis e seus cuidados de uso variam entre países e regiões. Confira o rótulo do produto que você tem em mãos.
Antes de aumentar o ventilador, mude a direção do vento e troque a roupa úmida
Se a preocupação com mosquitos faz você manter um vento forte sobre o corpo suado, pode acabar voltando ao frio do começo. O ventilador também não é uma ferramenta capaz de eliminar todos os mosquitos do quarto.
Primeiro, coloque um pijama seco e direcione o vento para que ele não bata o tempo todo no rosto ou nas costas. Diminua a velocidade, use a função de oscilação ou mude a posição do ventilador em relação à cama até ficar confortável, sem frio. Cuide dos insetos por outros meios, com telas, mosquiteiro e produtos adequados.
Em vez de definir que “com 28 °C, esta é a regulagem certa”, experimente trocar o tecido úmido pelo seco e o vento direto por uma circulação suave. Ajuste também o ar-condicionado, se for o caso: não é preciso aguentar o ambiente abafado.
Cuide do lugar que coça para dar uma folga às mãos
A coceira parece ganhar destaque assim que você tenta ficar quieto para dormir. Como só decidir que não vai coçar pode ser difícil, vale cuidar dela antes.
As informações dos CDC sobre picadas de mosquito indicam lavar o local com água e sabão e aplicar frio para aliviar a coceira e o inchaço. Envolva o objeto frio em um pano e não o mantenha sobre a pele por muito tempo seguido. Se usar um produto de venda livre para aliviar a coceira, siga as indicações de idade e das áreas onde pode ser aplicado. Na dúvida, pergunte a um farmacêutico.
Se, num local machucado de tanto coçar, a vermelhidão, o calor ou a dor estiverem se espalhando, ou houver pus, procure atendimento médico. Se aparecerem falta de ar ou inchaço nos lábios ou na língua, busque ajuda de emergência imediatamente.
Amanhã, olhe também para a pouca água acumulada fora do quarto
Depois de uma noite atrás de mosquitos, vale conferir pratinhos de plantas, baldes e outros lugares próximos que acumulam água. Reduzir os locais onde as larvas podem se desenvolver também faz parte da prevenção.
Sobre o Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, no Japão, as perguntas e respostas sobre dengue do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão explicam que ele costuma estar ativo de meados de maio até o fim de outubro e pica principalmente ao ar livre, durante o dia. Essa é uma referência sobre a espécie no Japão. Não identifica o mosquito que estava no quarto à noite nem descreve a época de atividade em todas as partes do mundo.
Ver mosquitos no verão não é incomum, mas a impressão de que “ultimamente tem mais” não revela onde eles estão se criando. Comece pelos recipientes de que você pode cuidar: descarte a água e evite que volte a se acumular.
O objetivo desta noite é voltar a ter um quarto onde dormir, mais do que concluir a busca
Seque o suor. Troque a roupa úmida. Ajuste o vento que fica batendo na pele. Feche as entradas dos mosquitos, tome as medidas necessárias e cuide do lugar que coça.
Baixar a temperatura, por si só, não resolve a camiseta molhada, a fresta na tela nem a coceira no braço. Um pequeno cuidado para cada coisa ajuda a não voltar à mesma situação: calor e frio, sono e coceira ao mesmo tempo.
Se você estiver passando mal, não fique só no descanso: procure a ajuda de que precisa. Depois de cuidar disso, é hora de recuperar o direito de apagar a luz do quarto. Parar de encarar a parede e conseguir fechar os olhos com tranquilidade já é um bom avanço.




